Arquivo do autor:Nivaldo Junior

Sobre o tempo

Deixamos marcas, muitas marcas e, em meu percurso acadêmico, algumas ficaram gravadas em mim, mas há, ao menos uma que repito quase que cotidianamente aos meus alunos. O tempo é uma questão de escolha.

Foi em uma segunda feira, muito possivelmente as 8h da matina, que escutei essa frase pela primeira vez, o Mestre Cortella, explicava algo sobre a historia da educação no brasil quando ele disse exatamente isso. Tempo é uma questão de escolha. O dia tem, para todos, 24 horas, cabe a você decidir como quer passar ele. Como quer gastar seu tempo e, talvez, isso faz do tempo aquilo que de mais precioso temos.

Ninguém pode falar “Desculpe é que ontem eu não tive tempo, por isso não falei com você”, ora todos temos 24h ninguém acorda com uma carta falando: “Hoje seu dia terá apenas 2h, se vira”. O mais justo seria falar “Desculpe, ontem eu escolhi fazer outras coisas e não escolhi falar com você”.

Por isso, sempre que alguém decide falar comigo eu escuto. Escuto por inteiro. Me dedico aquela pessoa ao meu máximo, pois o tempo dela, que é aquilo que ela tem de mais importante, agora é meu. Ela me deu, ela me escolheu.

Somos e fazemos cotidianamente escolhas e certamente, são essas escolhas que nós define. Se você escolhe, por exemplo, dançar na maior parte do seu tempo, você vai ser conhecido como aquela pessoa que dança, no entanto, se você escolher trabalhar na maior parte dele, você será conhecido como trabalhador. Mas se você escolher sonhar, você será um sonhador.

Sendo assim, quando uma pessoa me fala, fulano está me fazendo de bobo, automaticamente penso: Oras, se você é escolha do seu tempo? Como alguém pode fazer de você alguma coisa? Você é aquilo que você escolhe ser, quem sabe não foi você que escolheu ser bobo de alguém?

Portanto, sempre que alguém dedicar, um segundo, um minuto, uma hora, um dia, seja o tempo que for a você, entenda aquilo como uma forma da pessoa falar: Ei, você é minha escolha agora. E, se possível, escolha ela também, quem sabe assim você não será nem aquele que dança, nem aquele que trabalha, nem aquele que sonha, será aquele que esteve com alguém quando essa pessoa precisou.

O dia tem 24 horas, mas talvez essa pessoa só precise de um segundo seu.

Sobre o dia da mulher.

Todo ano eu escuto ao chegar o dia das mulheres, colocações como: “Dia da mulher é todo dia e não apenas um dia”, “Eu não comemoro o dia das mulheres essa data é extremamente comercial.”, “A mulher tem um dia, o homem tem todos os demais.“ e na minha cabeça não existe nada mais infantil que qualquer uma dessas afirmações.

Em primeiro lugar, não acho que o dia da mulher seja o dia de comemorar a mulher, um dia para a mulher, isso é ridículo. Para mim, o dia da mulher é o dia de pensar na mulher, não pensar em uma ou duas mulheres, mas pensar na mulher em geral. Todas elas e para isso, vou lhe dar alguns números:

Só no Brasil, de 1980 a 2010 cerca de 91.000 mulheres foram assassinadas, 43.500 só entre 2000 e 2010. Seis em cada dez brasileiro conhecem uma mulher que foi vitima de violência domestica, a cada 2 minutos CINCO mulheres são espancadas no brasil, uma em cada cinco mulheres já foram vitimas de algum tipo de violência por parte de homens no brasil sendo o parceiro (namorado ou marido) responsável por 80% dos casos.

E você ainda acha que o dia da mulher é o dia em que se manda flores para sua mãe? Ainda acha que não deve comemorar o dia da mulher pois ele é uma data comercial? Oras ninguém tem a obrigação de comemorar o dia da mulher, mas todos temos a obrigação de pensar na mulher nesse dia.

Segundo a pesquisa, 94% dos homens entrevistadas sabem da existência da lei Maria da Penha, mas apenas 13 realmente conhecem o seu conteúdo.

Portanto, se possível, neste dia da mulher, ao invés de comprar um boque de rosas, ao invés de mandar uma cesta de café, no lugar de falar que é um dia comercial. Use esse dia para ler a lei Maria da Penha, se informar sobre a situação da mulher no brasil e, se sobrar um tempinho, compre uma rosa, mas não para dar para sua mãe, namorada, esposa. Mas para dar a uma desconhecida. Sem nada em troca. Apenas de a rosa.

 

 

Sobre “La Petite Mort” no carnaval.

Creio que qualquer pessoa com o mínimo conhecimento da língua portuguesa consegue, ao ler a frase acima, descobrir a tradução da sua parte francesa, ao menos a tradução literária da frase. La petite mort.

A pequena morte.
Mesmo não sendo muito chegado ao carnaval, desejo a todos os carnavalescos de rua, de bairro, de avenida, não um carnaval do sexo, da luxuria, da festa da carne(?), mas um carnaval repleto de pequenas mortes. Um carnaval cheio de “Le petite mort”.

Com a chegada do carnaval, o que mais vejo nas redes sociais é uma exaltação quase que “carnateista”, se é que existe o termo, do sexo não do carnaval. Seria como se o carnaval se resumisse apenas a quatro, cinco ou seis dias de férias em uma ilha paradisíaca chamada Brasil, onde o sexo é elemento obrigatório. Os que namoram, no carnaval, devem terminar o namoro, já os que estão solteiros, continuem solteiros e venham para a festa. Venham transar o carnaval.Sinceramente, eu não gosto deste carnaval. Um carnaval sem “La petite mort”. Um carnaval frio.

“La petite mort” é exatamente assim que os franceses se referem àqueles poucos segundos, minutos, horas, que sucedem o ato sexual. A pequena morte. A expressão refere-se a incapacidade de realizar qualquer atividade, seja ela intelectual, seja braçal, seja qual for, após esse orgasmo, esse gozo. Você já esteve tão feliz, mas tão feliz que não conseguia fazer nada além de: Ficar feliz? Chorar? Rir? Chorar e rir? Estar em um momento no qual pensar, andar, correr é impossível? É exatamente esse o momento, é exatamente essa La petite mort que desejo a você nesse carnaval. Um carnaval intenso, um carnaval de entregas, um carnaval onde o gozo não seja objetivo, seja consequência.

Imagine um carnaval no qual o beber não seja obrigação, pegar geral não seja uma regra. Um carnaval sem máscaras. Um carnaval em que ”amor de carnaval” durasse mais que os quatro dias. Não que fosse um amor imortal, mas que, como diz o poeta “fosse chama”, consumisse. Um carnaval que queime, que esgote toda a energia, que faça com você o mesmo que chama faz com o amor do poeta. Queime por inteiro.

Se você vai para avenida, vá por inteiro. Vá queimar-se no samba. Vá esgotar-se pela sua escola, vá sorrir e chorar com o seu samba enredo. Se você vai para o bloco de rua, vá cheio de vida. Vá curtir o carnaval, vá passar a sua alegria a todos e todas. Vá queimar toda sua alegria. Se você vai para o baile, queime-se por completo. Dance, pule, cante, veja e seja visto. Se vai ficar com a família, queime-se dela e com ela, pule no sofá, na tv, na sala, faça a sua festa. Se vai namorar, namore com todo o seu fogo. Queime-se com o seu amor.

Não importa onde você esteja, deixe a chama do carnaval te queimar.

Um queimar que te mostre a vida, que te traga a vida. Que te deixe tão cheio de vida que por um instante, por apenas um instante, seu corpo se esvazie de toda ela, deixando a você apenas a sensação que queimou-se por completo, viveu-se por inteiro, e ai, você perceba que os franceses souberam descrever o gozar a vida plenamente, viver um amor em sua plenitude, em apenas três palavras.

La petite mort.

Bom carnaval.

 

Sobre ser Paulistano

Entre todos meus amores e entre todas minhas dores, o sentimento que eu tenho por São Paulo é algo que nunca vou conseguir explicar. As vezes, eu confundo com uma relação de amor e ódio. Mas acredito que vai muito além disso. Sou filho de São Paulo, e acredito que essa cidade fez de mim sua imagem e semelhança.

Ninguém escolhe onde nasce, na verdade algumas religiões afirmam que escolhemos o nosso lugar de nascimento mas, a grosso modo, somos jogados em algum lugar do mundo para cumprir o nosso destino. Até mesmo naquelas religiões que se acredita escolher o lugar de nascimento, esse escolher é chamado de Destino. Bom, esse foi o meu destino, nascer em Sampa. Assim como outras centenas de milhares de pessoas estava eu destinado a nascer nessa cidade gigante.

Sim uma cidade gigante, a terceira maior cidade do planeta e, ainda assim, mesmo dividindo essa cidade com mais de 20 milhões de habitantes, eu chamo essa cidade de minha. Essa é a minha cidade, essa é a minha casa e você já tentou explicar a sua casa? Tente. Perca um ou dez minutos para tentar explicar a casa onde vive e seus habitantes. As relações que acontecem nela, como funciona a cozinha, como funciona o controle remoto da T.V. ou, melhor ainda, tente explicar a bagunça organizada do seu quarto.

Sabe quando você arruma seu quarto, deixa tudo arrumadinho, ai entra alguém e fala: “Nossa você precisa arrumar o seu quarto!” e você pensa: “Mas eu acabei de arrumar!”. É justamente isso que você sente quando alguém de fora tenta entender São Paulo: “Mas vocês vivem sempre correndo assim?”, “Nossa você tem coragem de comer Pão de Queijo no posto de gasolina?”, “Mas tem loja aberta a essa hora?”.

E nós, a turma do meu, pensamos: Ah meu, essa é a minha cidade, esse é o meu quarto, para você ele está todo bagunçado, mas, na verdade, ele esta arrumado do meu jeito. Sei onde fica cada coisa em São Paulo, sei onde achar tudo.

Minha cidade meu. é o meu mundo. Talvez eu não nunca consiga explicá-la. São Paulo não foi feita para se explicar, São Paulo foi feita para se sentir e eu sinto São Paulo, mais que sinto, eu vivo São Paulo e parte minha acredita que só consiga conjugar este verbo, viver, aqui.

Lembra da historia do destino? Você não escolhe o lugar onde nasce, lembra? Mas você escolhe o lugar em que você vive. Você pode mudar o seu destino. E quantos destinados a nascer em outras cidades, estados e até mesmo países, escolhem tentar o destino aqui, na minha cidade. Quantos escolher viver em São Paulo, e hoje chamam essa cidade de minha cidade.

Pois, mesmo se você nasceu em outra cidade, quando você viver um tiquinho aqui, você vai descobrir como é gostoso ser paulistano em São Paulo. É impossível não se encantar por São Paulo, e é impossível não se sentir paulistano quando se tem aqui um canto para chamar de meu, uma cidade para chamar de sua, porque paulistano não fala meu por uma questão de sotaque (paulistano em geral não tem sotaque), paulistano fala meu, para se lembrar do seu canto, da sua cidade, do meu quarto.

Pois o Paulistano, mesmo aquele nascido em outro lugar, ama a minha cidade meu.

Sobre o passado

Acho que amadureço. Certa nostalgia tomou conta de mim…

Sempre vi pessoas com mais experiência vivendo momentos de nostalgia, e não era incomum eu achar aquilo um porre. Ora, pensava eu, quem vive recordando o passado esquece de viver o presente, pois o tempo não foi feito para recordar e sim para ser vivido.

Mas, ultimamente, uma saudade me fortalece. Sinto-a de forma diferente. Sempre escutei pessoas falando de uma “saudade que lhes consumia” e, com toda preciosidade que a arrogância pode me dar, acho que ai está o erro.

Não quero, e talvez não posso, ter uma saudade que me consuma, que me engula em momentos tristes que, na verdade, são frutos de lembranças que foram felizes (ou não).

O tempo foi sim feito para recordar. Se não qual seria a utilidade do ontem? Ele não existiria. Não haveria, ao menos, a palavra ontem. Só hoje e amanhã, e assim quando o hoje passasse, ele simplesmente sumia. Sem lembranças, sem dores, sem sabores.

Mas são os sabores que adoçam as nossas lembranças, são os gostos dos nossos desgostos que nos fazem ter apenas uma certeza, a que estamos vivos. Hoje aprendo que, estar vivo, é também lembrar do passado. É revivê-lo, senti-lo, ressenti-lo.

Aprendo agora a viver no presente lembranças do passado, mas não as choro ou as desejo, apenas as revivo. Revivo-as em minha mente, sinto suas dores, suas alegrias e seus sabores. Mas não as desejo para o agora, as quero ali, no meu ontem, onde eu possa visitá-las sempre, não para matar as saudades (saudades não morrem apenas adormecem) mas para vivê-las, ou melhor revivê-las, e desta forma provar, num outro tempo, o sabor que tinha, outrora, minha vida.

Sobre o balanço de 2014.

Todo final de ano faço aquela avaliação geral, aquele balanço do que é bom e do que é ruim, ou do que foi bom, do que foi ruim e, inevitavelmente, começo por aquilo que realizei. Vejo tudo de novo que construí naquele ano, tudo que lutei, tudo que suei para fazer e que, graças ao meu suor, consegui realizar.

E, no ano de 2014, forçadamente comecei minha reflexão, por porque faço isso? Porque meço o meu sucesso por aquilo que conquistei? Automaticamente, vem apenas uma explicação em minha cabeça:

“Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio (self-deception), que é fonte permanente de erros e de ilusões. O egocentrismo, a necessidade de autojustificativa, a tendência a projetar sobre o outro a causa do mal fazem com que cada um minta para si próprio, sem detectar esta mentira da qual, contudo, é o autor.” (Edgar Morin)

É obvio que, ao iniciar o balanço por aquilo que você conquistou, pela faculdade que você entrou, pela prova que você passou, pela namoro que você se envolveu, pelo serviço que você conseguiu, vai fazer de você um herói. São todos sucessos. São todas maneira de falar para você mesmo:

– Viu, parabéns, você está no caminho certo. – É, fatalmente, uma forma de self-deception.

Ai vem a pergunta, vamos fazer o contrário então? Vamos começar o balanço por aquilo que ficou para trás? Aquilo que se perdeu durante o ano? Não. Absolutamente não.

Fazer isso será o outro lado do mesmo erro, será tão errado e cruel quanto o erro anterior.

Começar um balanço levando em conta o que deu errado, vai apenas fazer de você uma pessoa que perdeu. Um perdedor. Alguém que fatalmente vai falar: “Que 2015 seja melhor que 2014, pois esse ano, meu deus.”

Então o que fazer? Fazer duas listas e colocar na balança? Ver o que teve mais em 2014, acertos ou erros? Como posso saber se tive um bom ano? Como saber se 2014 foi, realmente um bom ano?

É justamente ai onde acredito que está o perigo. 2014 bom? 2013 fraco? 2012 espetacular? Oras, anos são bons ou ruins? Anos são melhores ou piores?

Somos nós, não é o nosso 2014 que foi bom ou ruim, fomos nós. Nós que como humanos e humanas fizemos do nosso tempo algo maravilhoso, algo mágico ou algo podre,  terrível.

Você falar: “Eu só espero que 2014 acabe logo, que venha 2015.” Ou “Tomara que 2015 seja igual 2014. Melhor ano da minha vida.” Ou qualquer coisa do gênero, é apenas mais uma mentira que você estará contando para si mesmo. Você não precisa disso.

Olha, garanto a você, que o seu Papai Noel interno, (aquele que julga se você foi um bom menino ou menina em 2014 para lhe dar um presentinho) vai ficar mais feliz, quando, ao perguntar para você como foi o seu 2014. Você apenas responder: 2014 eu não sei, mas eu vivi cheio de altos e baixos e não me importa se mais altos que baixos ou mais baixos que altos. Apenas vivi da minha maneira.

E sobre um 2014 mágico ou podre? Você pode parafrasear o velho sábio:

Assim como todos que vivem tempos como esse! Mas não cabe a eles decidir… O que nós cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos é dado… Há outras forças em andamento nesse mundo além das forças do mal… Mesmo a menor das criaturas pode mudar o curso do futuro… (Gandalf)

 

 

Ressaca

Da angustia
(Que fere minha alma)
Bebo o amargo

Vontade de não andar.

 Do medo
(Que me escolta)
Bebo a solidão

 Vontade de não gritar.

 De você
(Que através de mim olha)
Bebo a indiferença

 Vontade de não lhe ver.

 Da dor
(Que cala a alma)
Bebo o indisposição

Vontade de não sentir.

Do ser
(Que de mim nasce morto)
Bebo a vida

Vontade de renascer.

Sobre esse tipo de gente.

(leia até o fim se começar a ler)

Há um tipo de gente que me assusta. Tal tipo, que sinceramente não sei porque existe, é uma gente que só pode ser muito BURRA, um tipo de gente que vive com um falso moralismo.
Pessoas que como só sabem ser falsas, só servem para atrapalhar a nossa vida, esse tipo de gente sinceramente, deveria ser extinta da face da terra, pois parece que não pensa. Não conseguem ver o mundo de maneira certa. É um tipo de gente cega, um tipo de gente hipócrita que, além de não saber votar, ainda vota errado.
Esse tipo de gente mais atrapalha a democracia que ajuda e, sinceramente, esse tipo de gente me da nojo. São pessoas má informadas, má formadas e, no mínimo, má amadas.
E sabe quem é esse tipo de gente? Eu.
Sim eu. Nunca fui tão ofendido em minha vida como fui nessa eleição. O fato de ter uma opinião, de ter um partido, de votar em alguém fez de mim a pior pessoa da face da terra. Fez, segundo alguns dos meus contatos no facebook, com que eu fosse o câncer deste pais. Fui comparado com Hitler, Mussolini, Che Guevara entre outros.
Segundo tais contatos, eu só posso ser muito burro ou OTÁRIO para votar em tal candidato. Esse tipo de gente (leia-se eu) não faz nada que presta e ainda atrapalha, esse tipo de gente (novamente eu) torce por uma minoria e não aceita a opinião dos outros.
Como sou esse tipo de gente, não por nascença mas por maioria de votos, resolvi falar por esse tipo de gente e como, aparentemente, fui eleito presidente regional deste tipo de gente, vou escrever sobre nós, esse tipo de gente, no meu primeiro mandato.
Antes de mais nada, quando é que você, que graças a Deus não é esse tipo de gente, vai aprender que democracia, que política não se faz com imposição? Quando vai aprender que ao falar: Esse tipo de gente é pior que o Hitler, você está sendo tão fascista quanto o próprio Hitler? Se você trocar Hitler por Judeu olha como sua frase fica: Esse tipo de gente é pior que um Judeu. É realmente isso que você pensa? É realmente assim que você quer começar seu argumento? Classificando gente como tipo melhores ou piores?
Quando você vai perceber que ao separar gente por TIPOS, você esta caindo em um erro absurdamente fascista e racista.
Mas sabe o que é pior? É você não perceber que essa posição, esse tipo de debate, só fortalece uma classe. A classe “política”. Começar a separar partidos políticos por classe social, por posição intelectual, por questões regionais e não por questões e visões políticas, só favorece o politico que deixa de apresentar uma proposta, para apresentar uma acusação ideológica onde um tipo de gente é melhor que o outro. O debate vira:
E sabe porque você tem que votar em mim? Porque eu não sou esse tipo de gente. Eu sou melhor. Muito melhor que eles. E você tem que ser melhor que eles. Melhor que esse tipo de gente. Vote no melhor, vote em mim.
Nunca vi um processo eleitoral tão ridículo como esse ano. E tudo por causa deste tipo de gente.
Para mim, representante legal do ETdG, gente não tem tipo. Gente é gente. E a mim, sempre, toda e qualquer gente, tem o direito de votar. De pensar, de expressar sua opinião através do voto. Para mim, que sou uma pessoa que ama as gentes, todas elas. Não há partido, posição ou ideologia no mundo, que me faça separar gente por tipo. Luto pela igualdade, pela justiça. Não a igualdade de um tipo, a justiça para um tipo. Mas a igualdade das gentes, a justiça da gente.
Então apos um dia de mandato, venho por meio desta anunciar que deixo a presidência do Partido Esse Tipo de Gente (ETdeG) não por acreditar que sou melhor que esse tipo de gente, mas por acreditar que gente não se classifica por tipo e, que se um dia, alguém me provar que há tipos diferentes de gente, eu irei responder. Que gente é gente, não importa o tipo.
Atenciosamente
Nivaldo Neves Oliveira Junior
Ex-Presidente Regional do ETdeG
(Esse Tipo de Gente)

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Sobre Gripe dos 5 aos 40 anos.

Aos 5 Anos: Você corre pela casa, toca o maior barraco… tosse um pouco no primeiro dia… no segundo e terceiro dia tosse que nem um louco, fica de cama por dois dias, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 10 Anos: Você fica feliz que não vai para escola, passa uns 3 dias assistindo tv e tomando chocolate quente… não tosse no primeiro dia… no segundo dia tosse que nem um louco, fica de cama por dois dias, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 15 Anos: Você fica mais feliz ainda por não ir para escola, passa uns 3 dias assistindo tv e tomando sorvete… tosse um pouco no segundo dia tem febre no terceiro, fica de cama por apenas duas horas, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 20 Anos: Você fica mega feliz por não ir trabalhar, sente um incomodo no terceiro dia… tosse um pouco no segundo dia tem febre no terceiro, fica de cama por apenas duas horas, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 25 Anos: Você acorda muito suado no meio da noite, sente o nariz escorrer, pensa: Merda estou gripado, levanta descalço vai ate a cozinha, abre a geladeira, pega a água gelada, bebe com um benegripe, e acorda bem no dia seguinte para jogar bola, nem se lembra da gripe no segundo dia.

Aos 30 Anos: Você percebe algo estranho no primeiro dia, se agasalha muito, começa a se cuidar, no primeiro dia a gripe derruba você. No segundo há uma certa luta, mas você ganha por pontos. No terceiro e quarto você sente dor no corpo, mas já esta pronto para outra.

Aos 35 Anos: Você levanta muito bem e toma uma pequena friagem. TODOS os sensores entram em alerta. A gripe chega em questão de horas. No primeiro dia, você sente que foi atropelado por um trator. No segundo você percebe que o trator está dando ré, agora você começa a tossir como um louco. No terceiro você sente que tem algo muito errado e vai no médico, ele receita umas 10 toneladas de remédios e você fica 3 horas no soro, você fica feliz pelo atestado de 5 dias. No quarto dia você não consegue levantar da cama, descobre que Albert Einstein estava certo, tudo é relativo, inclusive a gravidade que definitivamente ficou maior nas ultimas horas. No quinto você começa a tremer de frio mesmo debaixo das cobertas, em alguns momentos você sente que sua alma abandonou seu corpo em uma assoada de nariz. No sexto parece que a gripe não vai embora você perde a capacidade da fala e do raciocínio lógico. No sétimo você vê uma luz no fim do túnel, 3 horas depois você descobre que era o trator voltando, neste dia acaba o papel higiênico da casa. No oitavo você começa a elaborar o testamento mental. No nono dia você escreve o testamento. No decimo você sente uma leve melhora. No decimo primeiro você nem se lembra que era vivo.

Aos 40 anos: Lembra daquela gripe dos 35?? Então ela está mais forte.

Sobre o verbo Namorar

Essa semana [na verdade as ultimas 48 horas (na “verdade verdadeira” os últimos 30 dias)] tem sido bem intensa para mim, acho que é a porta de entrada dos “enta”. Aquela bendita crise dos quarenta que todo mundo fala. Resumindo: Estou chato.
E dentre as minhas chatices, que são muitas, quero aproveitar o dia de hoje, 18 de junho, para propor uma pequena mudança na língua portuguesa. Precisamos, urgentemente, mudar o verbo namorar e isso é fundamental para a felicidade geral da humanidade. Eu explico.
Atualmente o verbo namorar é transitivo direto, ou seja, não exige preposição entre ele e o seu complemento. Então, o correto é Pedro namora a Renata ou Pedro namora o Thiago, dependendo da orientação sexual do Pedro e seu complemento, e isso, para mim na porta dos meus 40 anos, é um absurdo.
Não, o absurdo não está na orientação sexual do Pedro, e sim no verbo namorar. Namorar fulano, ou namorar beltrana, é uma ação que se faz sozinha ou sozinho. É como amar, comer, beber. Eu amo e, para amar, posso amar sozinho ou sozinha.
Quem ama não precisa de complemento, e isso é tão correto, que existem pessoas que amam coisas. Há, por exemplo, um amigo meu que ama o carro dele, mas ama de paixão mesmo e é obvio que ele ama sozinho, o amor está dentro dele e pronto. Nietzsche explica bem isso. Para ele, você não ama a pessoa amada, você ama a sensação de amar aquela pessoa. Ou seja o amor é seu por você mesmo. É algo que você sente em você mesmo, mas que está projetado em outra pessoa.
Até ai eu concordo. Amar, contrariando Mario de Andrade, pode ser verbo transitivo direto.
Agora namorar? Quem namora namorar com alguém. Explico novamente.
Namorar é, para mim, ter uma segunda vida. É ter a sua vida, a vida do outro e juntos construir uma terceira vida, uma vida compartilhada, uma vida a dois e para ela, essa vida, damos o nome de relacionamento.
O namorar é, portanto, para mim, transitivo indireto. Eu não namoro a fulana, eu namoro com a fulana, é com ela que juntos construímos a nossa terceira vida. É com ela que eu construo o meu relacionamento. É com ela que eu namoro.
Ninguém namora sozinho, você pode construir uma segunda vida sozinho, mas construir uma vida compartilhada, uma terceira vida. Você tem que fazer isso com uma outra pessoa e isso é intenso. São brigas, amores, chateações, medos, conquistas, lutas e, se tudo isso em uma vida vivida sozinho já é difícil, imagina tudo isso em uma vida vivida a dois? Em uma vida compartilhada? É difícil demais.
Por isso namorar o, ou namorar a, é para mim impossível. Não conseguiria namorar sozinho. Não posso, já tenho uma vida, de 36 anos, que vivo sozinho, a essa outra vida, que chamo de relacionamento, quero e preciso vivê-la com[partilhada] alguém.
Então hoje, dia 18 de junho, dia em quem completo 3 anos de namoro. Quero, em nome do meu namoro, propor uma mudança na língua portuguesa. Que namorar seja verbo intransitivo, que ele peça preposição e que essa preposição seja com e, no meu caso, que o seu complemento seja Tatiane Prates.