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Sobre o dia das mulheres: Datas Comemorativas, ou seria datas do consumismo?

Há um tempo, eu e a minha namorada conversávamos sobre as ditas Datas Comemorativas, falávamos algo sobre o fato da data em si ter acabado e o que sobra é a ideia de ganhar algo naquela data. Ou seja, não comemoramos mais o Natal, comemoramos ganhar presente. Não comemoramos mais a Páscoa, comemoramos ganhar ovo de páscoa. Dia dos namorados, dia das crianças, dia dos pais e dia das mães então nem se fala. Há pessoas que certamente mandam entregar o presente do dia das mães.
Há, ate mesmo, empresas especialistas em fazer um Dia dos Namorados dos sonhos. O que você, namorado ou namorada, precisa fazer? Nada só contratar o serviço deles. Então fica a pergunta: Temos datas comemorativas ou datas consumistas?
Para mim fica claro que não temos nem uma nem outra. As datas não são consumistas ou Comemorativas.. Datas são apenas datas, e as pessoas que são consumistas ou comemorativas.
Em nome de uma visão socialista não posso eu levar minha namorada para jantar no dia das mulheres? Não posso presentear alguém em uma data comemorativa? Para não incentivar meu filho a ser consumista não posso dar um presente a ele no dia das crianças? Devo então lutar contra todas essas datas?
Não vejo assim, as datas são apenas datas, e são as atitudes que temos que fazem das datas consumistas ou comemorativas.
Hoje mais que desejar a todas as mulheres um Feliz dia Das Mulheres, devemos nós homens, proporcionar a elas um dia feliz. Mudar a nossa ação perante a mulher e não apenas comprar um bombom, um colar.
Então, respondendo a minha amiga Juliana Oliveira: , não é que eu não gosto desta data, apenas acho que comemorar o dia da mulher, tem que ser mais do que um bombom e um: “parabéns pelo seu dia”. Tem que ser uma mudança na forma de nós relacionarmos. Tem que ser um respeito verdadeiro dos homens e das mulheres para com todas, absolutamente, todas, as mulheres.
E no dia que isso acontecer, no dia em que nenhuma mulher sofrer mais algum tipo de abuso, de violência, neste dia, então, a ideia que algumas pessoas vendem de que todos os dias são para vocês, mulheres, realmente faça sentido.

Feliz dia das mulheres a todos os humanos e humanas.

Sobre a morte do chorão.

Há uma gravação do Raul em que ele fala: “Agora é necessário. Gritar e cantar Rock” e eu realmente entendo isso. Raul viveu em uma época onde era preciso GRITAR e CANTAR ROCK para ser ouvido. Raul viveu essa época intensamente.
Há, uma outra gravação, desta vez do Cazuza, em que ele fala algo como: Foi preciso. Era como se ele deixa-se claro que ele precisava usar a droga para ser ouvido, ela preciso sair do normal para mostrar, no caso do Cazuza escancarar, que poderia ser diferente. Que havia uma outra maneira de ser e, para isso, ele foi intenso.
Renato Russo, o monstro da Legião Urbana, talvez o maior poeta que eu já ouvi, viveu de forma tão intensa, mas tão intensa que o palco, a legião, era pequena demais para ele, foi preciso, em alguns momentos, até fazer voos solos.
Cassia Eller é outro mito para mim, foi talvez a primeira mulher que assumiu a sua sexualidade e vida de uma forma que me traz inveja. Ela viveu intensamente.
Há diversos outros casos, de pessoas que vivem intensamente e que marcam uma geração, Chorão foi um deles. Viveu “intensamente”.

O que me deixa chateado, no caso do Chorão, não é a morte dele, é justamente o fato da escolha.
Nos anos 80, talvez, não tínhamos a noção que temos hoje sobre o risco que se tem quando se consume drogas, etc. Nos anos 80 o cigarro, por exemplo, era sinal de status social. Hoje eu não vejo sentido algum em uma pessoa fumar. Acho um absurdo de uma pessoa que conhece todos os riscos do cigarro, colocar uma piteira de narguilé na boca por exemplo.

Não estou falando que ele merecia morrer, só estou falando que é o caminho natural e que, infelizmente, há muitas pessoas que ainda vão percorrer esse caminho. Isso me deixa triste.

Sobre o Chorão, vou usar um outro cara, para falar dele:

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder.

Não sei se ele morreu de overdose, talvez não…
Mas, mesmo assim, acho que essa música nunca fez tanto sentido quando ela faz hoje e a pergunta que fica é:
Até quando meus herois vão morrer de overdose?

Sobre ser ‎”Estremanente errado”

Hoje, estudando piano (intervalos de quarta), novamente me deparei com a questão do simples e do simplório, que tanto me foi dito na universidade e que tanto falo aos meus alunos, também na universidade. Isso sempre me fascina.
Todos os dias nós, humanos e humanas, deixamos de admirar o simples para nos maravilharmos com a complexidade do simplório, nos deparamos cotidianamente com a complexidade do simplório e nos maravilhamos com ela.
O simples erro, por exemplo.
Um sujeito em uma rede social qualquer comete um erro ortográfico, algum erro de concordância ou qualquer tipo de erro é imediatamente por nós, juízes da complexidade da língua portuguesa condenado.
Muitas vezes ao invés de termos a simplicidade de corrigir a pessoa, de avisá-la do erro, de ensiná-la por fim, somos simplórios ao ponto de xerocopiar o erro, digitaliza-lo e escancarar esse erro para toda uma sociedade.
Um bom exemplo disso foi quando iniciei meu projeto de mestrado. Apresentei ele a três professores da minha graduação na intenção de pedir ajuda, dois deles simplesmente me chamaram de canto e me mostraram: Você esta errando aqui e ali: (Jarbas Barrato e Antônio Gouveia), o outro foi apenas simplório em me dizer: Você não tem condição.
É comum ao invés de escolhemos o caminho mais simples, o do diálogo, escolhermos o caminho mais simplório: o de juízes, no caso do erro ortográfico, o de Juízes da língua portuguesa.
Não digo isso em favor do erro, como pedagogo e curriculista sei muito bem da importância do erro. Digo isso em favor dos humanos e humanas.
Pessoas que, talvez para que toda uma estrutura que serve a nós, os juízes do direito e da moral da nossa língua, não tiveram oportunidade de frequentar as escolas que nós frequentamos, de ler os livros que nós lemos, de falar da maneira que nós falamos.
Por nós, esses infratores da língua portuguesa, devem ser julgados e condenados. Se possível serem expulsos das nossas redes sociais ou, até mesmo, serem rebaixados de uma rede social de alto nível para uma rede social de menor nível, pois nós, pessoas complexas, não podemos conviver com essas atrocidades da língua portuguesa.
Gosto da simplicidade, gosto do jeito simples das pessoas falarem, gosto da simplicidade de uma família tocando violão. Chego a amar os simples sonhos. Recentemente recebi um vídeo lindo, de uma família reunida cantando. Porem todos, absolutamente todos, que me mandaram o vídeo, mandaram apontando um dedo para o, segundo eles, ridículo que a família estava passando.
Muitos daqueles que me mandaram o vídeo, certamente nunca, absolutamente nunca, tiveram um momento sequer parecido de união como aquela família mostrou ter no vídeo. Muitos dos que me mandaram o vídeo vivem, como diria Mario Sergio Cortella em tocas.
Da maneira mais simples que se possa existir eu tenho raiva dessas pessoas, simplesmente as odeio. Odeio da forma mais simples de se odiar alguém. Tais pessoas que em nome de qualquer tipo de moral, usam do erro alheio para mostrar a sua complexidade são por mim ignoradas e, talvez esse seja meu maior erro.
Portanto, se possível, antes de ridicularizar alguém que escreveu errado, que leu errado, que cantou errado. Tente entender e perceber que muito provavelmente, você também tem é responsável por aquele erro.
Mas, como diria o Matias do Filme Tropa de Elite:
“Do apartamentinho de vocês daqui da zona sul não dá pra ver esse tipo de coisa não!”

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Sobre a Carta a Revista Veja

A/c Revista Veja

Sou formado em Ciências da Computação e sou graduando do curso de pedagogia da universidade São Judas Tadeu.

Recentemente percebo que a revista Veja tem dado o devido destaque ao debate educacional, mas aos poucos estou percebendo certo sensacionalismo inerente àqueles que não sabem o que diz mas tudo dizem.

Estou completamente indignado com o fato de a revista tratar o Construtivismo como um simples método educacional de alfabetização, o que é um absurdo. Numa pequena pesquisa em qualquer site de busca com a seguinte pergunta “o que é construtivismo” seremos levados à uma série de sites que de uma forma ou outra nos mostram o que realmente é tal proposta.

A revista veja, que é uma das mais lidas revistas em circulação, deveria se preocupar um pouco mais com a veracidade e qualidade daquilo que escreve e publica, pois geralmente isso é tomado como verdade absoluta entre aqueles que a leem. Ao afirmar que 60% das escolas brasileiras são construtivistas a revista certamente erra, as escolas brasileiras em sua maioria são tradicionais, basta analisar o currículo que elas empregam na educação, agora caso encontremos algum currículo que indique uma proposta construtivista, ainda teremos que olhar a maneira como essa escola trabalha.

Outra grande besteira feita pela revista foi confirmar que as escolas Europeias e Norte Americanas usam o metodo fonico e não são construtivistas, ora, a Europa é o maior berço do construtivismo e nada impede que uma proposta construtivista utilize o metodo fonico como parte do processo.

Associar o fracasso da educação no Brasil ao método que está sendo aplicado nas escolas (e podemos facilmente perceber que é uma forma tradicional de ensino na grande maioria das escolas, outra grande parte está num processo de transição, mudando do tradicional para o construtivista, e por fim uma pequena minoria arrisco-me a dizer menos de 5% já estão utilizando-se da proposta construtivista) é certamente um erro, seria como em um time de futebol que so perde de goleada trocar o atacante do time pois ele não faz gol. O método utilizado pelo professor no processo de alfabetização certamente deve ser discutido, mas não ser colocado como o principal fator que leva a educação brasileira a ser a pior educação do mundo, outros fatores devem ser levados em conta, fatores políticos, fatores culturais, etc.

Mas essa visão que a revista mostra pode ser justificado pelo absurdo cometido pela revista na sua edição de 3 de maio de 2006, em seu suplemento veja São Paulo, na capa da revista lemos:

“O futuro já chegou às escolas – simuladores de realidade virtual, internet sem fio e lousas digitais estão revolucionando as aulas nos colégios paulistas”

Tenho 28 anos e nasci na cidade de São Paulo, leciono deste os meus 19 anos em escola particular, tenho amigos educadores que também trabalham em escola particular e posso garantir que o futuro chegou a uma pequeníssima parte dos colégios paulistas, simuladores de realidade virtual, isso é parte de uma minoria, que certamente pode ser contada nos dedos.

Para ser bem otimista vou pensar que na cidade de São Paulo 200 colégios utilizam tais aparelhos, num universo de centenas e milhares de escolas, esse número chega a ser irrisório e, na realidade, não acredito que esses escolas somadas cheguem a 100 unidades.

Logo, uma revista que parte de um pressuposto que se uma pequena parte dos colégios particulares da cidade utilizam de tal tecnologia é o suficiente para ter em sua capa: “O futuro já chegou às escolas – simuladores de realidade virtual, internet sem fio e lousas digitais estão revolucionando as aulas nos colégios paulistas” quando na realidade muitas das escolas nem computadores possuem e outras ainda lutam por paredes, pode-se esperar que essa mesma revista coloque o Construtivismo como método e ainda começe a questionar a eficácia de tal proposta.

Para não ficar nesta de apenas criticar, procurem um profissional da área de educação que realmente entenda o que é construtivismo, escutem esse profissional, debatam com ele, vejam os pontos fortes e fracos de uma ou outra proposta educacional. Enquanto a intenção dos pensadores for a de achar um culpado, seja ele um metodo, modelo ou proposta, certamente a educação nacional não terá futuro. É preciso sentar e discutir propostas e não ataca-las.

Em relação a tecnologia educacional, procurem algo sobre webquests, podcast, webgincana, etc. Certamente isso esta mais próximo de uma porcentagem de escolas da cidade.

 

Atenciosamente

Nivaldo Junior