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Se eu pudesse

Se pudesse, gritaria,
avisaria ao mundo:
Estou viva.

Se pudesse choraria,
por uma ou duas horas.
Escondida.

Se pudesse falaria,
com você, outra pessoa?
Apenas desabafar.

Se pudesse bateria
em você e no mundo.
Ah, eu lutaria.

Se pudesse xingaria:
um “Foda-se”.
Alto. Todo dia.

Se pudesse eu mudaria.
Quase tudo
ou talvez nada.

Se pudesse eu mentiria,
para todos,
ate nas orações!

Mas apenas não falo.
Mantenho o silêncio.
Calada. Esse é o meu grito.

 

Sentidos

Algo Grita: Ontem foi o ultimo beijo.
Fica um sabor de mais
Um desejo.

Algo machuca: Foi o ultimo olhar
uma saudade
A pele a arrepiar

Algo chora: É ultimo abraço
O calor compartilhado
Um rasgo

Algo bate: Ela foi embora
Sem tempo para adeus.
A dor devora

Algo alenta: Ontem acabou.
Esperança de hoje.
Ela voltou.

Alma feminina

Mente menina. Mente.
Oculte suas dores
Assombre suas mágoas
Não mostre suas fraquezas
Negue-me as lágrimas
Apenas sorria

São sorrisos que mentem
Alegram me por um instante
Não quero vê-la chorar
Para mim, MINTA.
Diga: Está tudo ok
Aprenda a chorar enquanto sorri

Ressaca

Da angustia
(Que fere minha alma)
Bebo o amargo

Vontade de não andar.

 Do medo
(Que me escolta)
Bebo a solidão

 Vontade de não gritar.

 De você
(Que através de mim olha)
Bebo a indiferença

 Vontade de não lhe ver.

 Da dor
(Que cala a alma)
Bebo o indisposição

Vontade de não sentir.

Do ser
(Que de mim nasce morto)
Bebo a vida

Vontade de renascer.

Oculta

Tenho vergonha
Apenas não aceito
Mostro apenas o riso
de um rosto já feito

Um riso que sei de cor.
Um riso decorado.
Um riso sem ternura
Um riso chorado

Da lagrima tenho medo
Medo meu e de mais ninguém.
Aos outros o sorriso
Um viva ao falso riso que veem

Um choro doido
Um choro calado
Um choro em silêncio
Um choro não mostrado

E então a lagrima escorre
e o medo me faz querer esconder
Não aceito a minha fraqueza
Escondo as dores de ser.

Choro entre a espuma
Choro ao me molhar
Choro em meu banho
Choro para não me ver chorar

Moreno

Uma angustia fere minh’alma
oh dor maior que o mundo
alojada neste peito
que ama o Vagabundo.

Porque não vais embora??
não faça do meu peito moradia.
Pequeno é meu peito,
enfraquece a cada dia.

Oh menino da pele morena.
Não sabes o quão homem és.
Nem olha a essa menina
Que deseja-te como mulher.

(Leila Piedad)

Morte Minha

Quando falo comigo
em meu pensamento
acho que sou culpado
sempre é julgamento.

Nunca sou, entretanto, absolvido.
Sempre condenado
e como louco, que sou,
sinto-me sufocado.

Quero gritar para o mundo
não tenho nada a dizer

Quero ser importante
Mesmo sem nada a fazer

Cansei de brincar
brincar de escrever
brincadeira esta
que retrata o meu ser

Fico farto da vida
sinto-me distante de mim
quero apenas não amanhecer
quero um poema sem fim

Anseio dos meios esquecer.
refazer os começos
estar perto do fim

Não sei se posso.
Não me diga se posso

Desejo o que não sinto
Algo que me falta
Coisa para qual minto

Cansei de brincar de casinha
estou farto da minha vida no papel
quero algo real
seja no inferno, seja no Céu.

Lord Pascal

Solidão a Dois

Com companhia de uma guria

Que não sei bem se é, ou se permite ser

Estou com uma pequena

Que mostra a razão do meu peito doer..

 

Ah! pequena garota…

Mesmo estando “ao seu lado”

Sinto-me sozinho

Um homem abandonado..

 

Solidão a dois..

Ocorre comigo hoje

Me diz pequena garota

O que virá depois?

(Lord Pascal)

Príncipes

Enquanto escrevo aqui na internet
As palavras saem da minha cabeça
Na tela de uma jovem aparecem

Sinto que estou perto de ser o príncipe encantado
Que só é encantado por estar em um outro lado
A distância nos fascina. Nos apaixona.
Cada palavra que escrevo sai do meu peito, viaja por quilômetros de fios
E chega a sua tela

Hoje sinto que sou qualquer coisa de um príncipe
A cada palavra que sai do meu coração e em sua direção viaja
Mais perto do seu olhar fica
Mais longe do meu coração se apaga
como mágica
Magia

Apenas palavras, em uma tela cinza
Apenas sentimento, em um coração vermelho.

Lord Pascal (N.J.)

Lua

O fim do romantismo foi decretado…
Não que tenhamos perdido o amor
Ou, até mesmo, a paixão pelo viver
Apenas acabou…
Não há mais razão de ser.

Percebi apenas hoje, acordei de um tolo sonho.
Sempre chamei tais poetas loucos
Mas eles a tinham, ao menos, como inspiração
Tinham, ao menos, em sua visão

A Luz da lua que, outrora, iluminava os poetas
Fora substituída e apenas sumiu
Ficando a nós, um mar de angustias
Um espaτo vazio.

Hoje, talvez escreva com paixão
Mas em meu peito há uma dor
A luz da lua foi embora
Ilumina-me o monitor

Lord Pascal