Arquivos da categoria: Leila Piedad

Se eu pudesse

Se pudesse, gritaria,
avisaria ao mundo:
Estou viva.

Se pudesse choraria,
por uma ou duas horas.
Escondida.

Se pudesse falaria,
com você, outra pessoa?
Apenas desabafar.

Se pudesse bateria
em você e no mundo.
Ah, eu lutaria.

Se pudesse xingaria:
um “Foda-se”.
Alto. Todo dia.

Se pudesse eu mudaria.
Quase tudo
ou talvez nada.

Se pudesse eu mentiria,
para todos,
ate nas orações!

Mas apenas não falo.
Mantenho o silêncio.
Calada. Esse é o meu grito.

 

Alma feminina

Mente menina. Mente.
Oculte suas dores
Assombre suas mágoas
Não mostre suas fraquezas
Negue-me as lágrimas
Apenas sorria

São sorrisos que mentem
Alegram me por um instante
Não quero vê-la chorar
Para mim, MINTA.
Diga: Está tudo ok
Aprenda a chorar enquanto sorri

Oculta

Tenho vergonha
Apenas não aceito
Mostro apenas o riso
de um rosto já feito

Um riso que sei de cor.
Um riso decorado.
Um riso sem ternura
Um riso chorado

Da lagrima tenho medo
Medo meu e de mais ninguém.
Aos outros o sorriso
Um viva ao falso riso que veem

Um choro doido
Um choro calado
Um choro em silêncio
Um choro não mostrado

E então a lagrima escorre
e o medo me faz querer esconder
Não aceito a minha fraqueza
Escondo as dores de ser.

Choro entre a espuma
Choro ao me molhar
Choro em meu banho
Choro para não me ver chorar

Moreno

Uma angustia fere minh’alma
oh dor maior que o mundo
alojada neste peito
que ama o Vagabundo.

Porque não vais embora??
não faça do meu peito moradia.
Pequeno é meu peito,
enfraquece a cada dia.

Oh menino da pele morena.
Não sabes o quão homem és.
Nem olha a essa menina
Que deseja-te como mulher.

(Leila Piedad)

Evito

Evito encarar seu rosto, ele me machuca
traz lembranças de outrora.
Lembraças que em meu peito se hospedam
Lembraças que jamais vão embora.

Evito encarar seu rosto, talvez sem razão.
Traz um medo dos sentimentos de outrora.
medos que insistem em gritar.
medos de um coração que chora.

Evito encarar seu rosto, é beleza demais.
traz a pureza de outrora.
Pureza de um coração.
pureza que meu peito devora.

Evito encarar seu rosto, é pura vaidade.
traz a vontade de outrora.
uma vontade de seu corpo.
vontade que em meu corpo mora.

Ética

Morreu-me a criatividade.
Nada escrevo
Nada desejo.
Morreu-me a vontade.

não fui ética
não fui poética

Não gestei
faltou-me a poesia
faltou-me a rima
Não vinguei

não fui ética
não fui poética

Não concebi estrofes
privada de ideal
privada do bem ou do mal
Não concebi distorces

não fui ética
não fui poética

Virgem estou
sem pensamentos
sem momentos
Virgem que cansou

não fui ética
não fui poética

Abortei o dilema
sem amores
Sem dores
Abortei esse poema.

não fui ética
fui poética

Ser diferente

Talvez seja assim!
Ou quem sabe, é assim que vemos …
Mas poderia ser?
Apenas diferente

Talvez seja assim.
Ou, quem sabe. Nunca percebemos!
Claramente ser…
Apenas diferente?

Talvez, seja assim?
Ou quem sabe, sempre foi.
Deveria ser!
Apenas. Diferente…

Talvez, seja assim…
Ou, quem sabe. Nunca foi?
Quero ser.
Apenas Diferente!

Dia de trabalho

Sinto no corpo ja moído,
pelo tempo surrado,
A água caindo,
Lavando o passado.

E, Por alguns instantes,
o amanhã à planejar
compromissos não dormem
insistem em acordar.

E, a água que agora meu rosto molha,
faz um gesto de acariciar,
bate, refresca e corre rápido.
Talvez por pena do meu olhar

Então fecho os olhos,
não as quero espantar,
sinto apenas as gotas,
em minha pele deslizar.

E no cheiro da água quente
vejo despertar velhas lembranças
a colorida banheira
do meu tempo de criança

Percebo que estou sozinha
um instante somente meu
sorrindo como a criança
achando o brinquedo que perdeu

E a pedra de ensaboar,
Donde vem o cheiro doce
revive meu corpo
como se minha cura fosse.

Logo entrego-me
sou minha e tudo sou eu
sou parte daquela menina
que o brinquedo perdeu

Sinto na caricias em meus cabelos,
que a água faz agora,
a vontade do meu homem
que carinhosamente meu peito devora

e renasce a vontade
de com esse homem estar
se possivel não amá-lo
apenas ao seu lado deitar

e quando isso conseguir,
vou fechar os olhos e sonhar,
ao lado do homem que me ama
e me faz feliz ao me desejar.

Leila Piedad & S.F.

Estranho olhar

Olhar que cega
fura minh’alma
incomoda o peito
estranhamente consola

o Estranho me encara
fazendo-me sua
domina meu pensamento
sinto-me desnuda

pequena é a vergonha
do rubro que brota
na face de mulher
segredos de outrora

então fecho os olhos
falta-me o ar
sinto a vontade
deste Estranho amar

e o calor me invade
toma meu corpo
velhos desejos
com sabor de novo

e por uns instante sou sua
sem querer, sem amar
matar seu desejo, Estranho
Escrava presa em olhar

Leila Piedad

Eroticamente Incorreto

Nunca gosto do que escrevo
e hoje entendi o motivo
Não que busque a perfeição
É culpa do pronome oblico

Não quero amá-lo
e sei que tão pouco ama-lo-ei
Prefiro amar ele
Amar ele escreverei

Mas, do gostar é difícil
Exige uma preposição
é transitivo indireto…
esqueço preposições prefiro posições

Mas gosto do escrever,
É transitivo direto, pede um objeto
Sem proposições e mediações, sugere posições
é eroticamente poético.

Nessa relação erótica
A alternância me faz errar
ora por que quero
ora por amar

nas adversatividades
contudo, quero estar
entretanto, tenho cautela
se não, estaria a um passo, de errar

Mesóclise, Verbos, Frases, Parágrafos e Sinais
isso é muito complexo, não consigo explicar
vou escolher a simplicidade dum artigo
com o ‘a’ vou ficar.

Leila Piedad