Arquivos da categoria: Poesias

Carta a jovem lívida

Coração mofa no peito
Virou parasita
Já não sente medo
Já não pulsa a vida.

Dói o escrever.
Desiste de tentar
Sentimentos se foram
palavras não vão voltar.

É triste então o poeta
Vive o luto do amar
esquece a alegria do sabor
já não quer o despertar.

Putrefata então o escrever
decompõe o pensar
morre o prazer
em escrever, em amar

Vem então a jovem lívida
com a ternura a transbordar
um amor que contagia
um desejo de amar

Faz renascer o desejo
não de alguém amar
escreve o poeta a ti, jovem
e faz do escrever, um brincar

Pinta então, o Poeta
um novo quadro está a riscar
usa de lívidos sentimentos
És branco seu desejar.

E a jovem adormece
Sem saber do bem que lhe faz
adormece lívida menina
que lhe emprestou a sua paz.

Simplesmente Seu.

Simplesmente sou contigo.
Pois simplesmente sou com.
Simples gostar.
Sendo simples ao estar on.

Simplesmente sou confuso
É mentira falar de amor.
Simples sentimento
Afasta minha dor.

Simplesmente não tem nome
E não sei como apareceu.
Simples acontecimento
Fez de mim, seu.

Simplesmente vivo a mentira
Que a mim foi contada
Simples momento
conto de fada.

Simplesmente por ti mil vezes
Pois num cometa voou
Simplesmente Dona.
das coisas que cativou

Lord Pascal

Morte

Queria viver
o mundo platonico
um amor ideal
fora de um sonho

Queria a sentir
o choro e rancor
duma mulher que me amou
chorando de dor

Queria a beber
o gosto da lágrima
que em seu rosto surgia
numa pele molhada

Mas por fim, deitei.
Jamais acordei
fazendo-a chorar
e de noite orar

Então voltei
em saber se vivia
Sorria com graça
como um anjo sem asas

Mas tinha medo
enfim chegava o fim
um morto que não sabe
que um coração já não bate

Lord Pascal

Evito

Evito encarar seu rosto, ele me machuca
traz lembranças de outrora.
Lembraças que em meu peito se hospedam
Lembraças que jamais vão embora.

Evito encarar seu rosto, talvez sem razão.
Traz um medo dos sentimentos de outrora.
medos que insistem em gritar.
medos de um coração que chora.

Evito encarar seu rosto, é beleza demais.
traz a pureza de outrora.
Pureza de um coração.
pureza que meu peito devora.

Evito encarar seu rosto, é pura vaidade.
traz a vontade de outrora.
uma vontade de seu corpo.
vontade que em meu corpo mora.

Ética

Morreu-me a criatividade.
Nada escrevo
Nada desejo.
Morreu-me a vontade.

não fui ética
não fui poética

Não gestei
faltou-me a poesia
faltou-me a rima
Não vinguei

não fui ética
não fui poética

Não concebi estrofes
privada de ideal
privada do bem ou do mal
Não concebi distorces

não fui ética
não fui poética

Virgem estou
sem pensamentos
sem momentos
Virgem que cansou

não fui ética
não fui poética

Abortei o dilema
sem amores
Sem dores
Abortei esse poema.

não fui ética
fui poética

Ser diferente

Talvez seja assim!
Ou quem sabe, é assim que vemos …
Mas poderia ser?
Apenas diferente

Talvez seja assim.
Ou, quem sabe. Nunca percebemos!
Claramente ser…
Apenas diferente?

Talvez, seja assim?
Ou quem sabe, sempre foi.
Deveria ser!
Apenas. Diferente…

Talvez, seja assim…
Ou, quem sabe. Nunca foi?
Quero ser.
Apenas Diferente!

Piada

É difícil entender
Hoje não quero tentar
Desisto do que quero
Mas insisto em pensar

Esses são caminhos,
que sempre desejei passar.
O quis em silêncio
com medo de assustar

mas hoje, o assustado estou
sem sua companhia
penso em solidão
penso em ti menina

Essa guria,
de encantador sorriso
simplesmente passa
e não está comigo

mas se um dia ela me olhar
com meus olhos direi
o quanto é sem graça
essa piada “amor” que lhe contei.

Duvidas…

Viva a vida. Viva!
mas, viver que vida?
a vida egoísta que a mim é oferecida?

Viva? a vida viva?
viver a vida do canudo de papel
sejamos bons e na morte ir para o céu.

Viva… ah vida viva.
vida de um antropocentrismo eterno.
vida egoísta transformada em inferno.

Viva. A vida viva.
viver somente para não morrer
na batalha do irmão vencer.

Viva a vida. Viva?
Viver para estudar e ser alguém.
Sem diploma Zé Ninguém?

Vivo, vivo a vida sim
e não a quero vive-la só para mim

quero vive-la do meu jeito
não importa se nela há defeito
quero apenas viver.

E mostrar ao ódio eterno
para sociedade irônica do Deus fraterno
que posso apenas viver
ajudando ao próximo a não morrer.

Lord Pascal

Lembranças

Sinto no peito o gosto amargo
gosto ora forte ora fraco
sabor que em meu peito vive
coração que apenas bate. Sobrevive

É o gosto da presença eterna
de quem há muito se fora
gosto triste e calejado
do peito desalmado

peito cuja alma fora expulsa
e vive então na amargura
sabendo que nunca vai esquecer
condenado a jamais re-viver

simplesmente condenado a chorar
Não sente o sabor do lembrar
por não saber esquecer
novamente, condenado a não reviver

não vê a beleza da lembrança manchada
cujo o tempo maldosamente rasgara
deixando somente a lembrança
do tempo da bonança

Não, ele não esquece
Não tem do que lembrar
simplesmente apodrece
já não consegue amar

Sim, ele sente a dor
a foto não precisa olhar
é tudo o mesmo sabor
não precisa a mente refrescar

talvez, ele acredite em outras vidas
e por isso ele pense em se matar
não para curar as feridas
mas por esquecer-se de como lembrar.

Lord Pascal

Morango e Leite Condensado

Escore dos lábios
De cor encarnada
Na pele de Jambo
O branco da lata

Vem o trabalho
da língua sensual
que na busca do sabor
e limpa o metal

E surge o vermelho
da fruta do amor
envolvida nos lábios
me expondo ao calor

e então imagino
meu novo pecado
beija-te na boca
fazer-me amado

louco em mim
percebo que sou
aquele que deseja
mas nunca amou

acordo do sonho
com corpo suado
era apenas morango
e leite condensado.

Lord Pascal