Sobre nossa casa.

Inconstantes, talvez essa seja a palavra que melhor nos define. Somos inconstantes. Mudamos, envelhecemos, crescemos, nos tornamos até “gente grande”, mas sempre, absolutamente sempre mudamos e são essas mudanças que fazem de nós, humanos e humanas que habitam o planeta terra, inconstantes. Raul Seixas já cantou que prefere ser uma metamorfose ambulante do que ter a mesma opinião formada sobre tudo, o próprio Fenando Pessoa já, com perdão pelo trocadilho, navegou pelo tema ao escrever que “Navegar é preciso; viver não é preciso”, pois, fatalmente, o navegar de Pessoa é a metáfora mais exata para a necessidade de mudança.

Somos, seremos e fomos inconstantes por toda a nossa existência. Mudar faz parte de nós e acredito que dentre todas as mudanças que nos permeiam a mais significativa é a mudança de casa. Não, não estou falando da casa onde você dorme, onde você come, onde você, com o perdão da palavra, caga. Estou falando da sua casa. O lugar no qual queremos e gostamos de estar. O lugar no qual acreditamos que está nossa felicidade. A nossa casa, aquele lugar que nos chamamos de Meu, aquela paz que nos chamamos de Minha. O nosso canto, o nosso lar.

As vezes, passamos a vida inteira procurando um lugar no mundo, procurando a nossa casa, nossa morada. Procurando o lugar no qual estamos felizes onde estamos bem. Quem nunca esteve na melhor balada, no melhor pico, na melhor festa, e a única coisa que conseguia pensar é: “Quero estar em casa.”? Ou quem nunca, dentro da sua própria casa, sentia uma vontade louca de, sem ser incoerente, ir para sua casa?

Besteira? Loucura? Insensatez?

Espere um pouco, pense bem, quantas vezes você desejou estar em outro lugar? Em outra época? E, as vezes, esse desejo é tão forte, mas tão forte que dizemos: Acho que nasci em época errada. Acho que nasci em um país errado. Nossa morada muda, nossa paz muda. Nossas vontades se transformam cotidianamente e, para mim, isso é fato. É premissa.

Logo, se temos a vontade intrínseca pela mudança e temos isso como condição sine qua non da nossa espécie, o que debater? Com o que nos preocupar já que como diz o ditado, “o que não tem remédio, remediado está”? Se não é cabível refletir sobre a mudança, nos resta refletir sobre o que nos leva a mudar e quais os sentimentos que nos fazem querer mudar. A pergunta que fica é: o que nos move? Se, como dizia Fernando Pessoa, navegar é preciso, o que usamos como remo?

Absolutamente, não quero causar uma reflexão sobre as mudanças, sobre o que mudou. Isso é fato dado, é premissa. O que busco, a reflexão proposta é: Por que nós mudamos? Por quem nós mudamos? Já que a mudança é, inerente a nossa existência, o que nos faz mudar? Acredito que a resposta para todas essas perguntas, é estritamente pessoal, cada um de nós tem a sua força; cada um, o seu remo. Apenas você conhece a sua morada e apenas você pode, ou não, sair dela, mas com uma coisa temos que concordar. Mudar é preciso, viver nem tanto.

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