Sobre o verbo Namorar

Essa semana [na verdade as ultimas 48 horas (na “verdade verdadeira” os últimos 30 dias)] tem sido bem intensa para mim, acho que é a porta de entrada dos “enta”. Aquela bendita crise dos quarenta que todo mundo fala. Resumindo: Estou chato.
E dentre as minhas chatices, que são muitas, quero aproveitar o dia de hoje, 18 de junho, para propor uma pequena mudança na língua portuguesa. Precisamos, urgentemente, mudar o verbo namorar e isso é fundamental para a felicidade geral da humanidade. Eu explico.
Atualmente o verbo namorar é transitivo direto, ou seja, não exige preposição entre ele e o seu complemento. Então, o correto é Pedro namora a Renata ou Pedro namora o Thiago, dependendo da orientação sexual do Pedro e seu complemento, e isso, para mim na porta dos meus 40 anos, é um absurdo.
Não, o absurdo não está na orientação sexual do Pedro, e sim no verbo namorar. Namorar fulano, ou namorar beltrana, é uma ação que se faz sozinha ou sozinho. É como amar, comer, beber. Eu amo e, para amar, posso amar sozinho ou sozinha.
Quem ama não precisa de complemento, e isso é tão correto, que existem pessoas que amam coisas. Há, por exemplo, um amigo meu que ama o carro dele, mas ama de paixão mesmo e é obvio que ele ama sozinho, o amor está dentro dele e pronto. Nietzsche explica bem isso. Para ele, você não ama a pessoa amada, você ama a sensação de amar aquela pessoa. Ou seja o amor é seu por você mesmo. É algo que você sente em você mesmo, mas que está projetado em outra pessoa.
Até ai eu concordo. Amar, contrariando Mario de Andrade, pode ser verbo transitivo direto.
Agora namorar? Quem namora namorar com alguém. Explico novamente.
Namorar é, para mim, ter uma segunda vida. É ter a sua vida, a vida do outro e juntos construir uma terceira vida, uma vida compartilhada, uma vida a dois e para ela, essa vida, damos o nome de relacionamento.
O namorar é, portanto, para mim, transitivo indireto. Eu não namoro a fulana, eu namoro com a fulana, é com ela que juntos construímos a nossa terceira vida. É com ela que eu construo o meu relacionamento. É com ela que eu namoro.
Ninguém namora sozinho, você pode construir uma segunda vida sozinho, mas construir uma vida compartilhada, uma terceira vida. Você tem que fazer isso com uma outra pessoa e isso é intenso. São brigas, amores, chateações, medos, conquistas, lutas e, se tudo isso em uma vida vivida sozinho já é difícil, imagina tudo isso em uma vida vivida a dois? Em uma vida compartilhada? É difícil demais.
Por isso namorar o, ou namorar a, é para mim impossível. Não conseguiria namorar sozinho. Não posso, já tenho uma vida, de 36 anos, que vivo sozinho, a essa outra vida, que chamo de relacionamento, quero e preciso vivê-la com[partilhada] alguém.
Então hoje, dia 18 de junho, dia em quem completo 3 anos de namoro. Quero, em nome do meu namoro, propor uma mudança na língua portuguesa. Que namorar seja verbo intransitivo, que ele peça preposição e que essa preposição seja com e, no meu caso, que o seu complemento seja Tatiane Prates.

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