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Sobre o balanço de 2014.

Todo final de ano faço aquela avaliação geral, aquele balanço do que é bom e do que é ruim, ou do que foi bom, do que foi ruim e, inevitavelmente, começo por aquilo que realizei. Vejo tudo de novo que construí naquele ano, tudo que lutei, tudo que suei para fazer e que, graças ao meu suor, consegui realizar.

E, no ano de 2014, forçadamente comecei minha reflexão, por porque faço isso? Porque meço o meu sucesso por aquilo que conquistei? Automaticamente, vem apenas uma explicação em minha cabeça:

“Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio (self-deception), que é fonte permanente de erros e de ilusões. O egocentrismo, a necessidade de autojustificativa, a tendência a projetar sobre o outro a causa do mal fazem com que cada um minta para si próprio, sem detectar esta mentira da qual, contudo, é o autor.” (Edgar Morin)

É obvio que, ao iniciar o balanço por aquilo que você conquistou, pela faculdade que você entrou, pela prova que você passou, pela namoro que você se envolveu, pelo serviço que você conseguiu, vai fazer de você um herói. São todos sucessos. São todas maneira de falar para você mesmo:

– Viu, parabéns, você está no caminho certo. – É, fatalmente, uma forma de self-deception.

Ai vem a pergunta, vamos fazer o contrário então? Vamos começar o balanço por aquilo que ficou para trás? Aquilo que se perdeu durante o ano? Não. Absolutamente não.

Fazer isso será o outro lado do mesmo erro, será tão errado e cruel quanto o erro anterior.

Começar um balanço levando em conta o que deu errado, vai apenas fazer de você uma pessoa que perdeu. Um perdedor. Alguém que fatalmente vai falar: “Que 2015 seja melhor que 2014, pois esse ano, meu deus.”

Então o que fazer? Fazer duas listas e colocar na balança? Ver o que teve mais em 2014, acertos ou erros? Como posso saber se tive um bom ano? Como saber se 2014 foi, realmente um bom ano?

É justamente ai onde acredito que está o perigo. 2014 bom? 2013 fraco? 2012 espetacular? Oras, anos são bons ou ruins? Anos são melhores ou piores?

Somos nós, não é o nosso 2014 que foi bom ou ruim, fomos nós. Nós que como humanos e humanas fizemos do nosso tempo algo maravilhoso, algo mágico ou algo podre,  terrível.

Você falar: “Eu só espero que 2014 acabe logo, que venha 2015.” Ou “Tomara que 2015 seja igual 2014. Melhor ano da minha vida.” Ou qualquer coisa do gênero, é apenas mais uma mentira que você estará contando para si mesmo. Você não precisa disso.

Olha, garanto a você, que o seu Papai Noel interno, (aquele que julga se você foi um bom menino ou menina em 2014 para lhe dar um presentinho) vai ficar mais feliz, quando, ao perguntar para você como foi o seu 2014. Você apenas responder: 2014 eu não sei, mas eu vivi cheio de altos e baixos e não me importa se mais altos que baixos ou mais baixos que altos. Apenas vivi da minha maneira.

E sobre um 2014 mágico ou podre? Você pode parafrasear o velho sábio:

Assim como todos que vivem tempos como esse! Mas não cabe a eles decidir… O que nós cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos é dado… Há outras forças em andamento nesse mundo além das forças do mal… Mesmo a menor das criaturas pode mudar o curso do futuro… (Gandalf)

 

 

Sobre esse tipo de gente.

(leia até o fim se começar a ler)

Há um tipo de gente que me assusta. Tal tipo, que sinceramente não sei porque existe, é uma gente que só pode ser muito BURRA, um tipo de gente que vive com um falso moralismo.
Pessoas que como só sabem ser falsas, só servem para atrapalhar a nossa vida, esse tipo de gente sinceramente, deveria ser extinta da face da terra, pois parece que não pensa. Não conseguem ver o mundo de maneira certa. É um tipo de gente cega, um tipo de gente hipócrita que, além de não saber votar, ainda vota errado.
Esse tipo de gente mais atrapalha a democracia que ajuda e, sinceramente, esse tipo de gente me da nojo. São pessoas má informadas, má formadas e, no mínimo, má amadas.
E sabe quem é esse tipo de gente? Eu.
Sim eu. Nunca fui tão ofendido em minha vida como fui nessa eleição. O fato de ter uma opinião, de ter um partido, de votar em alguém fez de mim a pior pessoa da face da terra. Fez, segundo alguns dos meus contatos no facebook, com que eu fosse o câncer deste pais. Fui comparado com Hitler, Mussolini, Che Guevara entre outros.
Segundo tais contatos, eu só posso ser muito burro ou OTÁRIO para votar em tal candidato. Esse tipo de gente (leia-se eu) não faz nada que presta e ainda atrapalha, esse tipo de gente (novamente eu) torce por uma minoria e não aceita a opinião dos outros.
Como sou esse tipo de gente, não por nascença mas por maioria de votos, resolvi falar por esse tipo de gente e como, aparentemente, fui eleito presidente regional deste tipo de gente, vou escrever sobre nós, esse tipo de gente, no meu primeiro mandato.
Antes de mais nada, quando é que você, que graças a Deus não é esse tipo de gente, vai aprender que democracia, que política não se faz com imposição? Quando vai aprender que ao falar: Esse tipo de gente é pior que o Hitler, você está sendo tão fascista quanto o próprio Hitler? Se você trocar Hitler por Judeu olha como sua frase fica: Esse tipo de gente é pior que um Judeu. É realmente isso que você pensa? É realmente assim que você quer começar seu argumento? Classificando gente como tipo melhores ou piores?
Quando você vai perceber que ao separar gente por TIPOS, você esta caindo em um erro absurdamente fascista e racista.
Mas sabe o que é pior? É você não perceber que essa posição, esse tipo de debate, só fortalece uma classe. A classe “política”. Começar a separar partidos políticos por classe social, por posição intelectual, por questões regionais e não por questões e visões políticas, só favorece o politico que deixa de apresentar uma proposta, para apresentar uma acusação ideológica onde um tipo de gente é melhor que o outro. O debate vira:
E sabe porque você tem que votar em mim? Porque eu não sou esse tipo de gente. Eu sou melhor. Muito melhor que eles. E você tem que ser melhor que eles. Melhor que esse tipo de gente. Vote no melhor, vote em mim.
Nunca vi um processo eleitoral tão ridículo como esse ano. E tudo por causa deste tipo de gente.
Para mim, representante legal do ETdG, gente não tem tipo. Gente é gente. E a mim, sempre, toda e qualquer gente, tem o direito de votar. De pensar, de expressar sua opinião através do voto. Para mim, que sou uma pessoa que ama as gentes, todas elas. Não há partido, posição ou ideologia no mundo, que me faça separar gente por tipo. Luto pela igualdade, pela justiça. Não a igualdade de um tipo, a justiça para um tipo. Mas a igualdade das gentes, a justiça da gente.
Então apos um dia de mandato, venho por meio desta anunciar que deixo a presidência do Partido Esse Tipo de Gente (ETdeG) não por acreditar que sou melhor que esse tipo de gente, mas por acreditar que gente não se classifica por tipo e, que se um dia, alguém me provar que há tipos diferentes de gente, eu irei responder. Que gente é gente, não importa o tipo.
Atenciosamente
Nivaldo Neves Oliveira Junior
Ex-Presidente Regional do ETdeG
(Esse Tipo de Gente)

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Sobre Gripe dos 5 aos 40 anos.

Aos 5 Anos: Você corre pela casa, toca o maior barraco… tosse um pouco no primeiro dia… no segundo e terceiro dia tosse que nem um louco, fica de cama por dois dias, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 10 Anos: Você fica feliz que não vai para escola, passa uns 3 dias assistindo tv e tomando chocolate quente… não tosse no primeiro dia… no segundo dia tosse que nem um louco, fica de cama por dois dias, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 15 Anos: Você fica mais feliz ainda por não ir para escola, passa uns 3 dias assistindo tv e tomando sorvete… tosse um pouco no segundo dia tem febre no terceiro, fica de cama por apenas duas horas, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 20 Anos: Você fica mega feliz por não ir trabalhar, sente um incomodo no terceiro dia… tosse um pouco no segundo dia tem febre no terceiro, fica de cama por apenas duas horas, e nem se lembra da gripe no quarto dia.

Aos 25 Anos: Você acorda muito suado no meio da noite, sente o nariz escorrer, pensa: Merda estou gripado, levanta descalço vai ate a cozinha, abre a geladeira, pega a água gelada, bebe com um benegripe, e acorda bem no dia seguinte para jogar bola, nem se lembra da gripe no segundo dia.

Aos 30 Anos: Você percebe algo estranho no primeiro dia, se agasalha muito, começa a se cuidar, no primeiro dia a gripe derruba você. No segundo há uma certa luta, mas você ganha por pontos. No terceiro e quarto você sente dor no corpo, mas já esta pronto para outra.

Aos 35 Anos: Você levanta muito bem e toma uma pequena friagem. TODOS os sensores entram em alerta. A gripe chega em questão de horas. No primeiro dia, você sente que foi atropelado por um trator. No segundo você percebe que o trator está dando ré, agora você começa a tossir como um louco. No terceiro você sente que tem algo muito errado e vai no médico, ele receita umas 10 toneladas de remédios e você fica 3 horas no soro, você fica feliz pelo atestado de 5 dias. No quarto dia você não consegue levantar da cama, descobre que Albert Einstein estava certo, tudo é relativo, inclusive a gravidade que definitivamente ficou maior nas ultimas horas. No quinto você começa a tremer de frio mesmo debaixo das cobertas, em alguns momentos você sente que sua alma abandonou seu corpo em uma assoada de nariz. No sexto parece que a gripe não vai embora você perde a capacidade da fala e do raciocínio lógico. No sétimo você vê uma luz no fim do túnel, 3 horas depois você descobre que era o trator voltando, neste dia acaba o papel higiênico da casa. No oitavo você começa a elaborar o testamento mental. No nono dia você escreve o testamento. No decimo você sente uma leve melhora. No decimo primeiro você nem se lembra que era vivo.

Aos 40 anos: Lembra daquela gripe dos 35?? Então ela está mais forte.

Sobre o verbo Namorar

Essa semana [na verdade as ultimas 48 horas (na “verdade verdadeira” os últimos 30 dias)] tem sido bem intensa para mim, acho que é a porta de entrada dos “enta”. Aquela bendita crise dos quarenta que todo mundo fala. Resumindo: Estou chato.
E dentre as minhas chatices, que são muitas, quero aproveitar o dia de hoje, 18 de junho, para propor uma pequena mudança na língua portuguesa. Precisamos, urgentemente, mudar o verbo namorar e isso é fundamental para a felicidade geral da humanidade. Eu explico.
Atualmente o verbo namorar é transitivo direto, ou seja, não exige preposição entre ele e o seu complemento. Então, o correto é Pedro namora a Renata ou Pedro namora o Thiago, dependendo da orientação sexual do Pedro e seu complemento, e isso, para mim na porta dos meus 40 anos, é um absurdo.
Não, o absurdo não está na orientação sexual do Pedro, e sim no verbo namorar. Namorar fulano, ou namorar beltrana, é uma ação que se faz sozinha ou sozinho. É como amar, comer, beber. Eu amo e, para amar, posso amar sozinho ou sozinha.
Quem ama não precisa de complemento, e isso é tão correto, que existem pessoas que amam coisas. Há, por exemplo, um amigo meu que ama o carro dele, mas ama de paixão mesmo e é obvio que ele ama sozinho, o amor está dentro dele e pronto. Nietzsche explica bem isso. Para ele, você não ama a pessoa amada, você ama a sensação de amar aquela pessoa. Ou seja o amor é seu por você mesmo. É algo que você sente em você mesmo, mas que está projetado em outra pessoa.
Até ai eu concordo. Amar, contrariando Mario de Andrade, pode ser verbo transitivo direto.
Agora namorar? Quem namora namorar com alguém. Explico novamente.
Namorar é, para mim, ter uma segunda vida. É ter a sua vida, a vida do outro e juntos construir uma terceira vida, uma vida compartilhada, uma vida a dois e para ela, essa vida, damos o nome de relacionamento.
O namorar é, portanto, para mim, transitivo indireto. Eu não namoro a fulana, eu namoro com a fulana, é com ela que juntos construímos a nossa terceira vida. É com ela que eu construo o meu relacionamento. É com ela que eu namoro.
Ninguém namora sozinho, você pode construir uma segunda vida sozinho, mas construir uma vida compartilhada, uma terceira vida. Você tem que fazer isso com uma outra pessoa e isso é intenso. São brigas, amores, chateações, medos, conquistas, lutas e, se tudo isso em uma vida vivida sozinho já é difícil, imagina tudo isso em uma vida vivida a dois? Em uma vida compartilhada? É difícil demais.
Por isso namorar o, ou namorar a, é para mim impossível. Não conseguiria namorar sozinho. Não posso, já tenho uma vida, de 36 anos, que vivo sozinho, a essa outra vida, que chamo de relacionamento, quero e preciso vivê-la com[partilhada] alguém.
Então hoje, dia 18 de junho, dia em quem completo 3 anos de namoro. Quero, em nome do meu namoro, propor uma mudança na língua portuguesa. Que namorar seja verbo intransitivo, que ele peça preposição e que essa preposição seja com e, no meu caso, que o seu complemento seja Tatiane Prates.

Sobre Ficar velho.

Li em um texto do Luiz Fernando Verissimo (Seios e Rembrandts) que atualmente (uso a palavra mesmo indo de encontro ao bom senso da escrita, afinal quando é atualmente?) as mulheres já consideram natural o uso de próteses de silicone, seja nos seios, nos lábios, na bunda ou onde Deus não quis, o uso deste artifício é, contraditoriamente, natural.
Li, ainda, um texto do Mario Sergio Cortella (“Não Nascemos Prontos”) em que ele comenta sobre o fato de não nascermos prontos, o autor tenta explicar que nós nos construímos: “Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo” achei divina essa idéia, por isso de hoje em diante não perguntarei mais, o que você está fazendo, mas sim, como você está se fazendo?
Isto posto, fiquei maravilhado com as semelhanças de idéias. Literalmente as pessoas estão se fazendo, se construindo pois:
Filosoficamente: a cada instante você é um ser novo, com novas idéias novos pensamentos. Você renasce a cada instante “O mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no meu presente” (Cortella novamente).
Naturalmente: A cada vez que você nasce, ou melhor renasce, nasce também uma ruga. Novas idéias e novos pensamentos trazem cabelos brancos e a gravidade fica mais forte a cada ano que passa.
O problema de ficar filosoficamente mais novo, ou naturalmente mais velho, está no fato que o corpo não acompanha a mente, enquanto o corpo fica velho, fraco, cansado, a mente se renova, se refaz, somos um sujeito ano 2014 modelo data de nascimento e “competimos” com outros sujeitos 2014 mas modelos 10, 20 ou 30 anos mais novos e isso pode ser um problema.
Para essa luta, filosoficamente e naturalmente desigual, usamos as armas que temos, aquelas que possuímos e, muitas vezes, as que nossa renda nos deixa possuir.
Oras, podemos dar um jeito nessa gravidade chata, nada que um com cartão de crédito não resolva, os cabelos brancos? Muito mais barato, e fácil, de se resolver, já as rugas podem ser mais chatas, mas temos o Botox, se ainda assim a coisa não funcionar, o viagra resolve pois um tapa nos cabelos tingidos, um óculos para esconder a marca do botox e estamos prontos para a luta, quer seja ela por parceiros ou parceiras quer seja ela por empregos.
É comum o uso de Justificativas como: “… quero envelhecer bonito, sem rugas..”, “… não tenho cabelos brancos, pinto todos para ficar bonito”. Oras, desde quando é feio ter rugas? Qual o problema dos cabelos brancos? Eu, particularmente, acho lindo a aparência do velho, mesmo detestando pessoas que estão mentalmente velhas, aquelas que, por exemplo, têm 30 anos e não mudam desde os 15 continuam com as mesmas idéias, sonhos, experiências e desejos.
Você não acredita? Acha exagero meu? Vá à uma festa, olha bem o comportamento dos “adultos”, dançam na boquinha da garrafa, rebolam com o tcham, azaram as menininhas e menininhos mais novos e quando toca Xuxa então? É uma festa.
E os jovens? Geralmente não ficam atrás nessa competição, usam as suas armas, fazem cara de conteúdo, idolatram ídolos do passado, outro dia vi uma guria de 15 anos falando da maravilhosa voz da Elis Regina de como ela encantava o público quando cantava, pô eu tenho trinta anos e não conheço a voz da dita cuja. Compram livros, decoram partes de poemas, usam jargões, às vezes ate os nossos jargões: “No meu tempo não era assim”, esquecem as bonecas e os carrinhos cada vez mais cedo e, cada vez mais cedo ainda, começam a namorar.
Certa fez uma aluna me recitou um poema de Fernando Pessoa, Autopsicografia, e fiquei encantado porque amo Fernando Pessoa e perguntei se ela sabia algum outro poema, ela respondeu: “Não, só decorei esse, pois achei legal”
Não sei bem, mas acho que essa competição não faz bem a nenhum dos dois, e será que não estamos buscando o falso? O falso seio, o falso ídolo?
Por que fazemos isso? Para competir? Por medo de ficarmos “velhos” e não sermos aceitos na sociedade? Medo de ficar velho se o meu mais novo eu é agora?
Na verdade não sei a resposta e não esperava que a soubesse, talvez, quando eu for mais novo eu entenda e conte para meus netos, filhos, etc. Por enquanto decidi que quero ser aparentemente velho, não vou lutar contra os efeitos do tempo, não vou mentir para o meu espelho e, se tudo funcionar direitinho, prometo que nem viagra eu tomo.

Sobre nossas escolhas.

Estava hoje pensando sobre o tema: nossas escolhas, é interessante como a vida nos limita. Não somos consultados sobre diversas escolhas que atuam diretamente na nossa vida eu, por exemplo, me chamo Nivaldo e, sinceramente, eu não escolhi isso. Certamente se eu pudesse escolher meu nome, meu nome não seria esse, depois de anos na escola, sendo chamado de: Nerdvaldo, Nibaldo, Nivaldooo (tente ler com o sotaque mais nordestino possível) eu não teria esse nome. Certamente meu nome seria algo como Lion (o do Thundercats) ou Panthro (tambem do Thundercats), já imaginou o diálogo? Eu conhecendo um amigo no terceiro ano:
Eu: Qual é seu nome?
Ele: Pedro e o seu?
Eu: Panthro Thundercats de Oliveira.
Pega essa.
O problema é que certamente ele teria um nome mais descolado que o meu, algo como Power Ranger Preto, por exemplo.
Mas imagina eu hoje, com 36 anos, tendo que explicar meu nome. Ou pior, quantas xuxas, chaves, chiquinhas, iriam existir no mundo?
A vida é sábia. O nome marca tanto, mas tanto a gente, que não nos é permitido escolher um nome, isso fica na responsabilidade de Anjos que nos chamamos de Pai e Mae. Eles, anjos, escolhem o nosso nome, eles sabem melhor que a gente escolher isso.
Mas há outras escolhas que nós são negadas. Algo como, família por exemplo, você não escolhe a sua família. Você simplesmente nasce em uma família. Em uma família semi-pronta já. Já nasce tendo irmãos, já nasce tendo um pai e uma mãe. Você não escolhe isso. Mas a vida é sabia. Escolhas importantes em nossa vida são feitas pelos nossos pais, escolhas fundamentais são feitas por Deus, ele escolhe quem vai viver ao nosso lado. Só cabe a nos, duas coisas: Aprender a viver com essa família e as vezes agradecer por ela.
Você já reparou como irmãos são unidos? É serio. Eles são tão unidos, mas tão unidos que qualquer movimento que um faça machuca o outro. Irmãos são tão próximos, que as vezes, se você machuca um irmão, você machuca todos eles. Quando um irmão fala: Meu bate em mim mas não rela no meu irmão, na verdade ele deixa isso claro. Machuca-lo vai machucar mais ainda a mim do que machucar a mim mesmo.
Irmãos, assim como pais, são anjos que Deus coloca em nossa vida.
E é justamente assim que me sinto hoje. Tenho uma irmã que, como toda irmã, nasceu colada em mim, na verdade eu e minhas irmãs somos tão colados que fazemos tudo juntos, ate trabalhamos na mesma empresa. Mas como eu disse, essa minha irmã foi escolhida por Deus para estar na minha vida. Uma irmã que assim como meu nome eu não escolhi mas que hoje, assim como meu nome, eu me orgulho.
Uma irmã, um anjo, chamada Vivi Neves. Uma mulher, menina anja, que prefere morrer a ver um irmão sofrer. Uma irmã Dra. Uma irmã que, se um dia eu encontrar deus na minha frente, vou falar: “Obrigado senhor pela irmã que o senhor colocou na minha vida.”. Te amo Irmã. Parabéns pelo que você é e se tornou e obrigado por tudo que um dia você fez para mim.

Sobre Dever e Poder

Um dos textos mais bonitos que li, sobre educação avaliação, é do Alipio Casali (Fundamentos para uma avalição educativa), acho esse texto, assim como quase tudo que ele escreve ou fala, uma das coisas mais poéticas e belas que li durante meu mestrado.

Hoje, pela manhã, fiz uma reflexão que cabe, muito bem, esse texto. E gostaria de convidar você a uma reflexão comigo. Serão apenas 5 minutinhos. Coisa relativamente rápida.

Faça mentalmente, uma lista pequena de 5 ou 10 coisas que o aluno deve fazer na escola, na sua sala de aula, vamos lá. Seja você professor, seja você aluno, faca uma lista de 10 coisas que você deve fazer na escola. Vou dar um tempo para você pensar nela. Coisa rápida. Apenas 5 ou 10 coisas.
Essa reflexão é muito fácil de fazer, ela vem, quase que espontaneamente na cabeça. Ele deve fazer lição, deve respeitar o professor, deve se comportar, etc. Esse exercício é tão simples de fazer que caso eu peça para você fazer uma lista com 20 ou 30 coisas que o aluno deve fazer, você faz sem muito esforço.
Agora vou lhe fazer um segundo convite. Faça, novamente mentalmente, uma nova lista, uma lista pequena também. Algo em torno de 5 ou 10 coisas que o aluno Pode fazer na escola, em sua sala de aula. O que ele pode fazer?
Em um primeiro momento, acredito que confundimos o poder dele com o dever dele: oras ele pode respeitar o professor, pode se comportar direito, pode fazer lição, pode assistir aula ou ele deve respeitar? Deve se comportar? deve fazer lição? Mas vamos nos esforçar mais. Uma lista de 5 coisas, vamos apenas 5 coisas que o aluno Pode fazer, que é dele, direito dele, apenas dele. Decisões que são por ele tomadas. Qual é o poder do aluno em sala de aula? E aqui propositalmente uso o verbo poder. Qual o poder do aluno?

Para mim, e talvez apenas para mim, ficou muito difícil esse pensar, montar essa lista. Volto então para o texto do Alípio “estamos falando de poder como verbo, como possibilidade de ação: Poder fazer, poder tornar-se, poder alcançar. Aliais, todo poder deve ser, eticamente falando, um verbo (ser para a ação) e não um substantivo”(2007, p.12)

E a pergunta que fica em minha mente, em meu pensar e agir, é: Qual o poder que estamos ensinando ao nosso aluno? Cada vez mais parece, a mim, que a educação caminha para uma eterna luta de poder: O Poder do professor contra o poder do aluno, o poder do gestor contra o poder do professor, o poder do estado contra o poder do gestor, e por ai vai.

Ate quando vamos, na educação, brigar por um poder? Ah se você fez a lista, compartilhe comigo, Tanto a do Dever do aluno quando a do Poder do aluno. Fiquei curioso pela resposta.

Sobre os 65%

Antes de iniciar a falar sobre esses 65% gostaria de começar falando de 12%.

Uma pesquisa feita em 2011 aponta que 12% dos internautas preferem a ditadura militar do que viver na democracia. No rio, uma pesquisa feita com jovens entre 10 e 15 anos, apontou que a maioria deles preferem a ditadura que a democracia.

Agora você pode perguntar: Junior o que isso tem a ver com os 65% que afirmaram: Tem mulher que merece ser estuprada? Eu respondo: Tudo.

Quando nós perdemos a fé em nós, quando perdemos a noção que nós, e apenas nós podemos mudar o nosso mundo, o nosso pais a primeira coisa que fazemos é “apontar um culpado“ e a segunda coisa que fazemos é apontar “um salvador“.

Sabe porque nós estamos assim? Por causa da T.V. que mostra beijo gay. Por causa destes Mcs “Funkeiros dos Inferno”. Por causa da polícia que só sabe bater. Por causa dos alunos que não tem mais respeito. E, como diz o mestre Jarbas Novelino, se está assim hoje, imagina na copa.

Quando perdemos a noção que nós, e apenas nós, podemos mudar as coisas, começamos a procurar os bodes expiatórios e os salvadores. Atualmente a sociedade escolheu alguns bodes: mulheres que se vestem inadequadamente, beijo gay, pessoas iletradas, funkeiros, pessoal das cotas, pessoal do bolsa família vamos todos ao paredão. Vocês pedem para apanhar.

Agora voltem nossos heróis, se possível de farda, venham colocar ordem nisso pois nos não sabemos votar. Quem aqui nunca escutou: O povo brasileiro não sabe voltar? E quando virem, tragam o ie ie ie novamente sabe? Um novo Beatles afinal o povo brasileiro não sabe nem o que é musica de verdade. E por favor, tragam novos filmes? Pior coisa que existe é filme brasileiro. So tem palavrão. Quem nunca ouviu a seguinte frase: Os EUA deveriam jogar uma bomba em Brasília.

Não me preocupo com os 65%, me preocupo muito mais com os outros 34% que ainda não viram isso. Que estão de braços cruzados falando: Gente que absurdo. Me preocupo com os 34% que ainda estão colocando a culpa nos outros 65%. Me preocupo em saber que você não vai fazer nada. Que ainda está esperando um salvador. Que acha que alguém tem que fazer alguma coisa.

Isso que me preocupa.

Falo 34% pois tem 1% que está fazendo algo… e vc? Está faz parte de qual porcentagem?

Sobre entender que não é X é Com?

Enquanto as relações forem Polícia X Manifestante, Povo X Político, Professor X Aluno, Patrão X Empregado, etc, Nunca vamos chegar em lugar nenhum, pois não estaremos “Lutando“ pela comunhão, estaremos lutando pelo Poder.
Li em um texto do professor Alípio Casali, que Poder nasceu como verbo, não como substantivo. E como verbo, ninguém tem o Poder, ninguém é dono do poder, mas pessoas deveriam ter o poder como ação. E não como posse. O poder, como substantivo, é um erro, uma heresia em minha opinião.
Transforma as relações em uma disputa pelo ter. Quem tem mais poder, quem manda mais, quem intima mais. Vencer não está mais associado a ter um bom argumento e sim a uma questão de força de mostrar quem tem mais força.
Vira selvageria. E não estou culpando policia ou manifestante. A policia apenas cumpre ordens. Apenas isso. Certamente antes da pancadaria começar algum politico vira para o secretario de segurança e fala: “Você faz o que você quiser, mas eu não quero ninguém na avenida paulista. Quero um basta. Chega. Pois se você não der um jeito nessa situação eu vou arrumar alguém que de um jeito.”
E pronto. O cenário está armado. O policial tem que obedecer ordens. Ele tem que mostrar que o PODER está na mão da policia, não importa o quanto certa esteja ou não a manifestação, agora a luta é pelo poder.
E para que o poder? Para baixar o preço da passagem para R$ 2,50? Para fazer um transporte publico de qualidade?
Voltarei as minhas aulas de mestrado, quando o Mario Sergio nos orientava: A Educação Brasileira está em um barco e, muitas vezes, nos vemos passeatas, greves, brigas, para discutir o tamanho desde barco, qual a velocidade ideal da remada perfeita para o barco se movimentar melhor, quantas pessoas deveriam estar no barco, se não deveríamos trocar o barco por avião, se o preço da passagem do barco não está muito alto, se homens e mulheres não deveriam usar barcos diferentes, se mulheres podem usar saia nesse barco, qual a melhor religião para esse barco, por fim, brigamos todos pelo poder de tomar essas decisões, entre nos lutamos, derrubamos uns aos outros para ter o direito de Gritar: O Remo tem que ter 2 metros. Queremos o Poder da decisão.
Mas nunca, absolutamente nunca perguntamos: Para onde o barco está indo? E, pior ainda, porque estamos indo para esse lugar? Quem decidiu que temos que ir todos para lá? Quem está no timão do barco?
Enquanto o aluno lutar contra o professor pelo poder, o Patrão lutar contra o Empregado por um lucro maior a Policia lutar contra o Manifestante pelo espaço publico. Nunca, absolutamente nunca conseguiremos, fazer, professores com políticos, com patrões, com empregados, com policia, com manifestantes, com alunos, todos decidam Juntos para onde vamos.
Pois enquanto nós brigamos aqui pelo poder ir mais barato, eles decidem lá para onde nós vamos.

Sobre maioridade penal.

Creio que nunca pesquisei tanto um assunto para escrever algo aqui no face e, ainda assim, me sinto completamente despreparado para falar do assunto, mesmo assim preciso, na verdade me sinto na obrigação de “apresentar“ algo.

Antes de mais nada se você espera algo como sou a favor, ou sou contra, e mais nada, pode parar de ler por aqui. Antes de ler minha opinião sobre o assunto, é extremamente importante que você saiba como eu construí essa opinião, até para que você possa discordar de mim.

Vejo recentemente, diversas pessoas postando comparações da maioridade penal, no brasil e no mundo.

Segundo essas pessoas, por exemplo, no Canadá, não há maioridade penal, o individuo com 13 anos, dependendo de como a justiça enxergue ele, pode responder pelos seus atos como adulto e, por exemplo, ir para a cadeia. De maneira semelhante, nos EUA há ao menos 2.000 detentos que estão presos num regime de prisão perpetua e tiveram sua pena decretada entre 12 e 18 anos, apenas para se ter uma ideia.

Bom, a questão que eu faço, e que para mim é fundamental para se posicionar contra ou a favor de uma redução da maioridade penal é: Quem são esses jovens? Como eles foram parar lá?

Para isso li o artigo da Universidade de Calgary: A PROFILE OF YOUTH OFFENDERS IN CALGARY: AN INTERIM REPORT, na intenção de conhecer: Quem é essa criança canadense que está presa, e vamos la:
Em um resumo bem simples do que li, são jovens em sua maioria brancos, em sua grande maioria empregados com salario acima de $ 50,00 por semana (lá é muito comum a ideia de remuneração por semana). Apenas 3.6% dos jovens agressores não tem a expectativa de terminar o ensino fundamental (fiz uma adaptação dos níveis de ensino), 32.5% pretendem terminar o colégio e/ou curso técnico e 27,7% almejam fazer uma faculdade.
27.6 % dos jovens agressores canadenses vivem com os pais. 43,9% deles vivem apenas com um dos pais, e 28,5% vivem em outras estruturas.
Ainda em relação aos pais dessas crianças: 30% são casados, 26% nunca casou, 8,9% são separados, 26% são divorciados e 8% são viúvas.

Ainda segundo a pesquisa, 44,5% nunca realizaram nenhum tipo de atividade de lazer com os pais, dos jovens presos canadenses, apenas 14% possuem algum envolvimento com Gangue e a grande maioria faz uso de drogas e/ou bebidas.

Agora vamos ao Brasil.

Novamente em um resumo bem simples: São jovens em sua maioria negros, e desempregados. 91% dos jovens recebem ajuda financeira dos pais. Dos jovens internados, apenas 21% afirmam que trabalham e 29% que já trabalharam um dia, a maioria deles 47% afirmou que cometeu o delito por necessidade pessoal, e 21% afirmou que cometeu o delito para sustento familiar.
Sobre a escola, a maioria dos jovens infratores 55% encontra-se no Ensino Fundamental e apenas 24,4% no Ensino Médio. Quando questionados o porque não estão estudando. 30% respondem que é devido a falta de vaga e o índice de reprovação entre os menores infratores é de 90,5%.
83% dos jovens vivem apenas com a mãe, 5.2 % destes jovens vivem com os pais e um terço deles vivem com pais e mães.
Aponto isso apenas para mostrar uma coisa: Não podemos, nunca, usar como pretexto para redução da maioridade penal, uma comparação com outros países. São países diferentes, com culturas diferentes, com vivencias diferentes. Para se ter uma ideia, enquanto no canada 100% dos jovens que cometeram algum tipo de delito grave, estão formados no ensino fundamental, no Brasil, 78% dos autores dos delitos mais graves, já praticaram Futebol de forma semiprofissional, por exemplo.
A mesma “estrutura” que forma nossos craques para a copa do mundo, forma os nossos craques que estão, hoje, roubando e matando por ai. Enquanto no canada 0% dos internos mais graves, nunca tiveram nenhum tipo de associação com atividade esportiva, no brasil 78% deles um dia sonharam em ser jogador de futebol.
Agora vem a parte que mais me preocupa, ha um tempo, ouvindo a Radio Bandeirantes, escutei um dos apresentadores falando: Nos estamos sem paciência para esse papo de simpósio. Nos queremos soluções e, é justamente ai, onde acho que vive o perigo. Ë comum ver pessoas desassociando de uma maneira extremamente infantil os conceitos de teoria e prática, a ideia que a teoria é uma coisa e a prática é outra. Isso não tem mais cabimento. Não mais no nosso mundo. Hoje há diversos autores que já apresentam o conceito de uma forma mais clara.
É preciso sim, que tenhamos o “papo de simpósio“. É preciso sim, uma grande reflexão antes de tomar uma ação qualquer no sentido de uma redução da maioridade penal. É preciso mais ainda. É preciso que nós, o povo, comecemos a perceber quem é o real “inimigo”. O Menor infrator? É realmente ele o culpado pela onde de violência em que vivemos? É realmente o menor infrator o culpado pela arma aprendida que volta para a mão dele? Pelo ladrão que é preso hoje e solto amanhã? Pela sensação impunidade em que vivemos? Pela falta de esperança em que fomos enviados? É o menor infrator realmente responsável?
Se sou a favor ou contra a redução da maioridade penal? Ainda não sei. Não me sinto pronto para afirmar nem que sim, nem que não. Mas posso afirmar que sou radicalmente contra, o caminho que esse debate está tomando, um caminho de achismo. De palpiteiros donos da verdade absoluta. Desculpe mas ninguém leva o seu filho para um palpiteiro operar. Ninguém entrega seu filho para um “cara que acha que ele tem uma doença crônica“ operar. Você leva em um especialista. Acho que precisamos escutar esses caras, esses especialistas e após escutá-los, ai sim, podemos tomar uma decisão.